A Educação básica pública e o distanciamento da realidade social do aluno

A Educação básica pública e o distanciamento da realidade social do aluno

 

É comum em muitos meios de comunicação, o debate acerca da Educação. Normalmente muito é criticado acerca da falta de interesse do estudante. Alguns insistem que é culpa do próprio aluno. Ele seria o responsável pela própria motivação e não a faz por opção. Há também a questão da preparação do próprio ambiente escolar.
De fato não se deve descartar que enfrentamos no Brasil uma série de obstáculos no quesito infra-estrutura. O que colabora e muito para esse quadro. Quando se trata da rede pública, há ainda um grande número de instituições de ensino básico em condições precárias. Não é difícil nos depararmos com ambientes que não são preparados para estimular o processo de aprendizagem. Mas outra questão importante parte disso: está sendo feito todo o possível atualmente para que essa entre tantas outras mazelas sociais sejam contornadas?

O professor e o impacto  social

Não é justo sobrecarregar um professor com tarefas que isentam a família e tantos outros indivíduos responsáveis pela formação de um estudante. Não obstante, essa análise visa trazer uma reflexão acerca do que pode ser feito mesmo que não se possa contar ainda tão cedo com as melhores condições possíveis. Se trata de lançar um olhar sobre a realidade atual e ainda que o quadro não soe o mais conveniente, ainda assim enquadrar nela a possibilidade de um rico processo de ensino-aprendizagem.
Muito pode ser aproveitado em uma aula expositiva. Mas podemos nos perguntar também se é inerente a uma aula que seja dessa forma sempre. Para muitos estudantes de ensino básico, as matérias relacionadas ao conteúdo programático fornecido na escola é algo muito distante de sua realidade. E quando é insistido que ele deve apreender aquilo simplesmente por se tratar de uma obrigação, o distanciamento não só prevalece, como pode se amplificar. Entra então a questão da função do professor na instituição e as possibilidades em seu trabalho. Sendo ele o profissional mais próximo do estudante, o tempo em aula pode ser utilizado para uma maior aproximação.

Não se trata de considerar o aluno como mera vítima de todas as circunstâncias sociais, mas buscar uma compreensão mais profunda na relação com o estudante. O professor pode enxergá-lo como um estereótipo, por exemplo, mas o ignora toda a vida do estudante para isso. Ele tem uma família, um círculo social, um bairro onde mora, músicas que ouve, redes a que se conecta, lugares que conhece…por fim, há toda uma história a ser conhecida, e que não se enquadra em uma caixinha da opinião de outra pessoa. Quando se diz conhecer exatamente o que precisa para a vida dele, sem ao menos haver um esforço para o entender, como o estudante vai entender a veracidade disso? Aos olhos dele, sobressai a questão da autoriedade e obrigatoriedade, não compreensão e querer o melhor para seu desenvolvimento.

O aprendizado em sua relevância social

Adquirir mais conhecimento se alastra para todas as áreas da vida de um ser humano, incluindo o que está ao redor dele. Expandir as fronteiras do que se sabe é um processo emancipatório. Quando o estudante pode assim entender a aprendizagem, entende melhor o porquê dela. Aprender vai muito além de gravar o necessário para conseguir uma boa nota. Ou se adequar à necessidades do mercado de trabalho. Através do hábito de estudos, ele pode modificar a comunidade onde vive. Pode ter atitude mais crítica e promover melhorias conscientes no que desaprova em sua região. O convívio com as pessoas próximas pode se aprimorar, assim como sua defesa quanto a hostilidades delas. Suas fronteiras podem se expandir à todo o planeta mais conhecido. O aluno pode ser o protagonista da própria transformação social, que muitas vezes sequer julga possível.

“Baby steps”

Não são necessários grandes eventos para promover a aproximação. Pequenas atitudes já podem trazer grandes alterações no período da aula. A organização das cadeiras pode ser modificada para uma roda, ou agrupamento. Podem ser feitas perguntas para cada aluno responder, como o bairro onde mora ou o que gosta de fazer. Podem ser realizadas pesquisas no início e final do período letivo, questionando como se sentem sobre situações e condições específicas no ambiente escolar. Ou mesmo em seu lar ou região onde vive.

Aos poucos, e respeitando seu espaço de desenvolvimento, a sala de aula pode ser um espaço para o estudante expressar seus sentimentos e ideias. O que pode fazer toda a diferença em seu dia, e trazer uma perspectiva renovada sobre a Educação. Tantas vezes pode estar vivendo em modo automático, então esse pode ser um momento para refletir sobre a própria realidade. E ali na escola, pode aos poucos encontrar um lugar onde se sente realmente inserido, não simplesmente obrigado a comparecer.

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