A educação brasileira segundo Anísio Teixeira

 

Anísio Teixeira apresenta a educação brasileira em 1956 como arcaica, pois esta ainda trazia a exposição oral e a reprodução como conceitos primordiais do que denominava por ensino. Além disso, os exames e as provas orais e escritas fomentavam um ensino baseado em decorar determinados conceitos a partir de uma compreensão superficial dos mesmos. Abordaremos a seguir as críticas de Anísio Teixeira sobre o ensino no Brasil na segunda metade do século XX.

Um dos maiores educadores brasileiros

Anísio Teixeira

Sendo de cultura geral, a escola não se preocupava em dar uma materialidade prática às aulas. A escola brasileira reproduzia na verdade uma teoria do conhecimento medieval. Nesse quadro de ensino, o que tínhamos era uma escola como um curto período de aulas, livros superficiais e esquemáticos, professores sem formação especializada. Assim, a escola servia apenas para a formação de uma casta privilegiada, pois os que chegavam aos últimos anos da educação escolar geralmente eram os que teriam uma vida mais fácil e privilegiada, a escola pública era mesmo uma reafirmadora das desigualdades de oportunidade.

Primeira prática democrática

A escola e a democracia

O argumento de Anísio Teixeira se firma na ideia de que a educação é essencialmente necessária para o exercício da democracia. Já que esse sistema político não é natural ao homem, ele só pode fazê-lo a partir de determinado arcabouço teórico e prático adquirido com a educação. A escola é vista pelo autor com a instituição mais especializada e artificial de nossa sociedade, pois não está ligada à democracia nem à vida cotidiana dos que lá estão, pelo contrário a escola existente é baseada num ideal autocrático, a ordem é totalmente externa.

Professor-guia

Professor como guia da aprendizagem

Em contraposição ao sistema de educação autocrática, Anísio Teixeira nos fala sobre a escola progressista e as possibilidades desta: atividades relacionadas com os interesses e atividades dos alunos, o professor como guia do processo que ajudará no debate, na pesquisa, em suma, numa melhor aprendizagem.  Para, além disso, a proposta de Teixeira fala da necessidade de experiências democráticas dentro do âmbito escolar para que se efetivem as condições para uma sociedade democrática. Para isso é necessário que a escola proporcione condições reais para essas experiências de formação, sendo assim aproximar o vivido e o aprendido é um dos ideais dessa nova escola. Para isso, professores, gestores e toda instituição escolar precisam estar comprometidos com a democracia. Depois, disso o processo democrático surgirá de forma mais natural no âmbito escolar.

Escola de qualidade

Qualidade na educação

Desse modo, seria o principal dever do governo oferecer ao povo uma escola primária de qualidade, onde fosse possível a formação para o trabalho comum, uma escola média que se oferecesse variadas possibilidades para moldar as aptidões de cada estudante, como também uma escola superior capaz de oferecer especialização e a mais alta cultura. Para dar maior viabilidade a essa proposta, Anísio Teixeira fala da necessidade da educação primária estar ligada diretamente aos municípios brasileiros, já que estes são a esfera de poder mais próxima da sociedade e possibilitariam uma melhor integração entre Estado e povo. À União caberia o financiamento e a regulamentação do exercício dos profissionais que lá estão. As atividades práticas que fomentem o pensar e o horário integral também seriam fundamentais para a viabilização desta nova escola brasileira.

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