O filme “Quanto Vale ou É Por Quilo?” na sala de aula

O filme “Quanto Vale ou É Por Quilo?” do diretor Sérgio Bianchi faz uma constante analogia entre os hábitos da época escravista e os tempos atuais. Ao longo do filme vários exemplos nos fazem repensar a permanência de certas práticas na nossa sociedade, principalmente através das ações das contemporâneas empresas solidárias que exploram a miséria através do marketing social. Este filme pode ser utilizado em várias disciplinas para discutir problemas brasileiros antigos e recentes.

Financiadores da pobreza

Cartaz do filme

Os “financiadores da solidariedade”, ou seja, as pessoas com condições de arcar ações visando o “bem social” estariam, na verdade, apenas forjando uma falsa imagem de bom cidadão, além de ficarem com a consciência mais leve seriam admirados pelos seus pares e conquistariam status frente aos outros. Para isso, as empresas que se especializam em vender com o social devem se preocupar em dar retorno aos clientes, ao mesmo tempo em que conseguem obter grandes lucros através dos investimentos, de desvios de verba do governo e de lavagem de dinheiro.

Ajuda bem-vinda?

Filantropismo com segundas intenções

Dentro os casos abordados pelo filme, destaco a cena em que as crianças de uma escola da periferia recebem um “novíssimo” centro de informática. O comportamento esperado era que essas ficassem gratas com tamanha gratidão dos financiadores, entretanto na ocasião os jovens jogam papel higiênico nesses “homens bons” e quebram os equipamentos logo que os recebem.

Crianças ontem e hoje

Crianças pobres X Crianças escravas

 

É válido pensar que os sentidos são construídos através de diferentes sociabilidades, consequentemente as respostas corresponderão de acordo com a inserção ou não na vida em comunidade. Eles vivem vivem fora da nossa “comunidade de sentido”. As crianças da periferia também são excluídas da sociedade, apresentando, desta forma, comportamentos incompressíveis para os “benfeitores”.

Cena marcante do filme

Moradores de rua

Apesar de o filme ser uma ficção é possível relacioná-lo com algumas realidades que convivemos de tão perto e ao mesmo tempo ignoramos. Sabemos que existem diversas empresas que usam do social para se promover, para angariar recursos e usa-los na restituição do imposto de renda; do outro lado vemos todos os dias crianças e famílias inteiras morando na rua e nos dois casos não fazemos nada.

Através das constantes idas e vindas com o nosso passado escravista usando-se de casos coletados em arquivos públicos o diretor consegue ilustrar como nossos hábitos ainda estão marcados por práticas discriminatórias e racistas. Vemos a escravidão como cruel e distante, entretanto esta ainda está muito presente no nosso dia a dia.

As possibilidades de utilização deste filme vão além da disciplina de história. Professores de educação, sociologia, antropologia, filosofia, dentre outros, podem utilizar esta ferramenta com crianças e adolescentes. As provocações feitas no decorrer do filme abordam questões que devem ser discutidas em sala de aula. O conteúdo e a narrativa são de fácil assimilam, o roteiro propõem narrações pessoais e diversas. Vale a pena trazer este filme, desconstruir seus conceitos e levantar perguntas, mesmo que estas não tenham respostas. O importante é o exercício de reflexão e conscientização.

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