Os materiais de ensino público acompanham a inovação tecnológica?

Os materiais de ensino público acompanham a inovação tecnológica?
materiais de ensinoConsiderando todo o tempo passado em salas de aula, como estudante ou professor, pode-se refletir sobre os materiais de ensino. Quais os tipos encontramos normalmente usados nas aulas?
Será que muitos teriam respostas além do padrão de quadro e marcador? Fora isso, talvez apenas mais um projetor com slides? Com a tendência de grandes avanços tecnológicos à altas velocidades como encontramos atualmente, não estaria a educação brasileira a alguns passos (ou muitos, em alguns casos) atrás da inovação?

A escola pública hoje em dia

Não é incomum nos depararmos com cenários em escolas públicas brasileiras que utilizam apenas os materiais de ensino mais básicos. Sendo aquele pacote com lousa e marcador para o professor e um livro didático para cada estudante, na maior parte das vezes. Sem esquecer também os casos que a disponibilidade dos materiais se encontre abaixo desse padrão, com esses materiais de ensino em mal estado de uso. Ao passo que estudantes das novas gerações têm contato com novas tecnologias desde muito jovens, um exemplo sendo o uso de smartphones, a Educação pública no Brasil ainda parece estar a uma boa distância de inovações em suas instituições de ensino. Muitos dos materiais de ensino poderiam ser melhor adequados às novas demandas.

Novas gerações, com novas realidades

inovações tecnológicas

Para entender as novas gerações, devemos entender seu contexto. O que inclui o momento histórico em que se encontram. Acompanhando descobertas científicas e inovações tecnológicas, vemos como têm ocorrido com grande frequência. A juventude atual se desenvolve em um mundo com grande contato com produtos das inovações, que fazem parte dos novos padrões culturais. Dificilmente já não lidaram com algum eletrônico, como celular ou notebook, já desde a infância.
E assim como a população se adaptou ao consumo e uso dessa tecnologia, também é difícil não vermos as exigências de mercado de trabalho a acompanhando. Quantos cargos hoje em dia não exigem ao menos um bom nível de pacote Office, por exemplo? A inovação nas salas de aula seria um passo à favor dessa inclusão. Assim como um dia foi decidido a aula de informática em muitas das grades curriculares, o contato com tecnologias mais avançadas poderia ser também ser  considerado para o cotidiano escolar.

Materiais de ensino de baixa qualidade: o que os alunos entendem disso

No caso do uso de materiais com qualidade insatisfatória (no caso de equipamentos inadequados para uso ou que não se adequam às necessidades das aulas), devem ser levadas em conta as mensagens transmitidas aos alunos. Mesmo que não conscientemente, podem entender que a Educação não é toda essa prioridade que muitos pregam. Porque, afinal, se é um setor tão importante: por que tão baixo investimento? Para o estudante isso pode representar um desestímulo diário. Muitas pesquisas apontam o quanto o ambiente interfere na aprendizagem e esse é um importante fator para a direção levar em conta. Até porque, no fim das contas, um ambiente inapropriado pode significar muito mais trabalho para o professor transmitir sua matéria. Ou mesmo a desistência de estudantes.

O antigo que não precisa de atualização

Válido ressaltar: nem todos os materiais precisam do famoso upgrade. Uma boa (ou ótima!) aula é perfeitamente possível com o “pacote básico” dos materiais de ensino. A questão não é fazer substituições ou considerar a sala de aula tradicional obsoleta. Apenas levantar a questão: esse modelo não poderia ser melhor adaptado às novas realidades? As gerações anteriores encaravam o mesmo tipo de exigências no mundo do trabalho? Elas lidavam com a mesma quantidade de eletrônicos? Tinham os mesmos tipos de acesso à informação? O ponto é descobrir as diferenças não para menosprezar o passado, mas adaptar a um agora mais eficiente.

Por onde começar?

play-table

Crianças utilizando a play-table, primeira mesa digital com jogos educativos produzida no Brasil

O primeiro passo é considerar se estão supridas as demandas essenciais. Como já mencionado, para inovar, não é necessário substituir totalmente o que já funciona.
Uma vez contornada essa questão, pode-se começar a análise de quais são as necessidades e possibilidades atuais. Muito está sendo estudado e aplicado em robótica, por exemplo: como fazer esse link? E quanto à sistemas alternativos de energia? Programação, impressão 3D, projetos em AutoCad? É claro que não é necessário o ensino em si dessas áreas, já que o maior foco na escola é o aprendizado base. E esses já seriam considerados conhecimentos extra-curriculares. Mas será que no ambiente escolar não cabe mesmo o menor espaço para os produtos desses estudos? E quanto ao conteúdo básico, eles prepara para avançar para esses outros segmentos?

A edução infantil interconectada

As novas gerações estão sujeitas eventualmente (provavelmente bem cedo) ao contato com a tecnologia. O que é importante para elas é ser feito da forma mais consciente e melhor instruída possível. Durante a Educação infantil, podem ser utilizados jogos eletrônicos pedagógicos, para que conheçam essa vasta área no uso dos eletrônicos. Um bom link para a continuidade do uso, é escolher algum que eles ou seus pais possam facilmente fazer o download em casa.
Outro aspecto importante a ser considerado é o contato com redes sociais. Há muitos riscos envolvidos, de crimes mais óbvios como pedofilia, sequestros, abusos, entre outros. E há também questões como a superexposição. Em escolas de outros países está sendo desenvolvido há anos a “Netiqueta”, em que os alunos aprendem a refletir sobre a interação virtual e consequências envolvidas na mesma.

Mais uma vez: a responsabilidade muito além dos professores

Há ainda quem associe o constante uso de materiais de ensino obsoletos à falta de interesse dos professores na inovação. Mas, assim como a já tão falada diferença entre responsabilidade de educar da responsabilidade de ensinar (que então corresponde realmente às do professores), não se pode exigir que o professor sozinho deva arcar com toda a estrutura que envolve os materiais. Até porque o seu salário deve corresponder às suas necessidades pessoais e não deve ser confundido com verbas destinadas à manutenção da instituição. Não que a prática deva ser bloqueada, mas simplesmente: não exigida! E caso aconteça, que seja por iniciativa e mérito exclusivos do professor.

 

Educação: um processo contínuo

A Educação está intrinsecamente interligada à mudança, sendo todos os integrantes possíveis agentes de transformação. A adaptação às novas ferramentas tecnológicas representa uma entre as muitas possíveis para adequação às particularidades de cada época. O processo educacional não é estático, e devemos lembrar: aqueles que estão sendo formados por ele estão sendo preparados para o mundo do futuro. Não aquele em que já vivemos.

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